Com a taxa Selic atualmente na faixa de 15% ao ano, o cenário econômico impõe desafios diários à população brasileira, principalmente para quem depende de crédito. Apesar de frequentemente mencionada em noticiários, a Selic ainda é pouco compreendida em seus efeitos práticos sobre o orçamento familiar.
Na definição técnica, a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, utilizada como referência para todas as demais taxas de juros aplicadas no país. Conforme explica Helena Passos, Head de Dados e Planejamento da Recovery, “é usada para calcular basicamente todas as operações financeiras e econômicas no país. Funciona como o principal instrumento do governo para controlar a inflação. Se os preços estão subindo muito, o Banco Central eleva a taxa Selic para encarecer o crédito e desestimular o consumo. É uma forma de fazer pressão para que os preços caiam”.
Na prática, o impacto é direto em diversas situações cotidianas. Compras parceladas, por exemplo, tornam-se mais caras, já que o custo do crédito repassado ao consumidor aumenta. No setor imobiliário, o financiamento de imóveis fica menos acessível, com parcelas mais altas. Já os empréstimos pessoais, comumente utilizados em emergências, pesam mais no orçamento.
Um exemplo ilustrativo é o uso do limite do cartão de crédito. Se uma família utiliza R$ 2.000 do limite e não consegue pagar o valor integral da fatura, os juros aplicados — influenciados pela Selic — podem rapidamente dobrar a dívida. O mesmo ocorre com o cheque especial ou financiamentos de veículos. A inadimplência cresce justamente nesse ambiente, quando parte significativa da renda mensal é consumida por encargos de dívidas acumuladas.
Nesse contexto, iniciativas de renegociação, como os feirões promovidos por instituições como a Recovery, têm ganhado relevância. Esses eventos oferecem descontos e condições especiais para consumidores inadimplentes. “Participar de ações desse tipo pode ser a chance de limpar o nome e reorganizar as finanças, evitando que os débitos cresçam ainda mais em tempos de Selic alta”, orienta Helena Passos.
A especialista também elenca orientações para lidar com dívidas nesse cenário:
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Participar de feirões de renegociação, onde as condições tendem a ser mais vantajosas.
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Priorizar dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial.
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Evitar parcelas que ultrapassem 30% da renda mensal.
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Buscar quitação à vista, quando possível, para obter descontos maiores.
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Comparar propostas antes de fechar acordos.
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Evitar novas dívidas durante o processo de reorganização financeira.
Por outro lado, quem não possui dívidas e consegue poupar encontra um cenário mais favorável. Aplicações em CDBs e fundos de renda fixa passam a oferecer retorno mais atrativo, com menor risco e ganho real frente à inflação.



